terça-feira, 2 de setembro de 2008

A deterioração urbana

A melhor forma de entender o presente é caminhar o olhar pelo passado. O processo de urbanização das cidades brasileiras se deu em um momento conturbado da História. A dominação européia juntamente com a hecatombe indígena pela aristocracia jesuítica, foi um dos fatores que fez com que nossas cidades fossem, arquitetonicamente e humanamente, tão mal planejadas.

Após um início errôneo, no final do século XIX e início do século XX, o fluxo de europeus que fugiam da crise econômica européia e vinham para o Brasil inchou as cidades e, ao mesmo tempo, o êxodo rural ajudou nessa súbita expansão da população urbana. Os europeus trouxerem as tecnologias para a agricultura, o que diminuiu a oferta de empregos. A conseqüência desse dínamo foi o não planejamento da expansão de cidades como São Paulo, gerando a opressão social que salienta diversos cataclismos modernos.

A solução encontrada pelos oprimidos, distantes do consumo capitalista e da magia explorada pelo mercado, é a criminalidade, que é a única alternativa ao alcance dessas classes.

Além da conversa fiada de políticos da politicagem, a solução para esses problemas que vêm do passado é mais simples do que se pode imaginar: a reorganização do campo de trabalho, como a inserção de mão-de-obra proletária nos produtos agrícolas, que, também, pode ajudar a frear a emissão de gases que contribuem para o aquecimento global. A busílis da mudança é a não solicitude dos tecnocratas. Abrir mão de lucros e investir no ingresso de mão-de-obra não é um discurso que os sultões da tecnologia querem ouvir. É aí que a Humanidade se mostra mais humana do que deveria ser.

Quantas pessoas jogam papéis no chão e depois reclamam de enchentes nas grandes cidades? Quantas pessoas deixam perder quilos de alimento no congelador e lamentam ao ver a fome na esquina de casa?

A deterioração urbana se confunde com a humana. E só nossas condutas dirão se a hipocrisia e o mercado ganharão a queda de braço com nossa modernidade arcaica e sem planejamento.

Por: João Gabriel Rodrigues e Figueiredo.

Um comentário:

Maíra disse...

*-* O João escreve bem! haha Me lembrei muitoo de suas atitudes, nos dois ultimos paragrafos.. Você odeia ver papel no chãão. :P Gracinhaa, adoroo suas escritas, sabia? E o ser humano nunca vai se dar conta de um papel no chão relacionado com enchentes. Ele só se da conta, quando o prejudica, se o prejudicar. :)